literatura marginal * literatura subversiva * literatura terrorista * literatura terceiro-mundista * anti-literatura
sábado, junho 13, 2009
Filho Da
Eu e meus amigos causamos naquele bar. Bebi, falei alto, cantei marchinha de carnaval, criei mal-estar entre os garçons. Gatei os tubos. Segundo uma certa corrente da psiquiatria contemporânea, tudo isso porque eu não extravaso as minhas energias libidinais onde deveria extravasar. Discordo de toda psiquiatria, psicologia, psicossociopatia e também de toda “ciência” contemporânea. São meia-noite agora e lá fora faz um frio de mais ou menos onze graus: beber álcool e fumar nicotina a quatro reais e vinte e cinco o maço foram as válvulas de escape que me sobraram. Arranco o filtro do cigarro e penso nos surrealistas fugindo da SS em direção aos Pirineus – será que existiu essa outra Europa tão pior que a nossa América Cretina? Porque tudo se diluiu em consumo, vontade de ter um automóvel, a casa própria e procriar por meio de inseminação artificial? Tiraram das crianças a capacidade de imaginar, de ler Hans Cristian Andersen, de ouvir alguém narrar As Reinações de Narizinho e a Formiga e a Cigarra naqueles dez minutinhos antes de dormir. Crianças de colo embaladas por i-pods não são crianças nem são objetos orgânicos que mereçam ser carregados em qualquer colo. Fiquem longe de mim, vocês e seus filhos pequenos.
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