literatura marginal * literatura subversiva * literatura terrorista * literatura terceiro-mundista * anti-literatura
domingo, dezembro 06, 2009
capítulo um
Fazia tempo que era noite. A coluna jovem marchava pelas avenidas em busca de uma outra multidão para enfrentar. Mais além de gangues ou partidos: eram sim facções em última instância ultra-individualistas embriagadas por algum sentido de matar e destruir porque aquele era meu diferente. As fardas propuseram-se contra as hordas – gás paralisante, explosão e os demais aparatos da violência militar barra mercenária. Os combates tão bem representados, sempre no mesmo dia, local e hora, com cadeira cativa, arquibancada e estacionamento grátis. Um buraco (cuja culpa é da companhia de águas) finca a terra e engole automóveis e a barraca com um vendedor ambulante que não morreu. Os estampidos, as minas terrestres e as granadas: chegou a vez da infantaria, da artilharia e da molecada. O enorme tambor japonês rebomba pelo cimento e pó, fazendo a placa do estabelecimento prestador de serviços gráficos do outro lado da rua oscilar pra lá e para cá. Porque faz vinte e nove anos atrás que alguém nasci e logo me acusaram de ser humano e fui sendo adestrado para virar burguês após a maioridade, que pelo menos até última vez que olhei pelo visor do relógio ainda não me tinha chegado. Correspondência extraviada. Uma bagagem tombada em plena pista do aeroporto, eu achei: calcinhas sujas, cápsulas contendo ar colorido, mudas de plantas exóticas do pacífico sul, um telefone celular riscado e sem crédito, arcadas dentárias para posterior identificação, gazes, um detonador de explosivos plásticos, violetas e o manuscrito de um poema que podia ser só a anotação de um código confidencial. A conspiração evangélica costuma se reunir naquela catacumba que bem poderia ser comercializada como loft ou apartamento. De madrugada, o burburinho diabólico desses iniciados misturado com os cânticos em língua medieval é feito uma brisa mal-cheirosa que vente da abertura de um bueiro depois da chuva. Não importa a consequencia jurídica do ato. A foice é o instrumento mais útil nessas paisagens imbrincadas, seja para desviar de pedestres afoitos ou ceifar motociclistas desatentos – uma foice também serve para galgar escarpas e decepar aquelas desagradáveis pessoas de meia-idade: pele branca, paletó e uma imitação de gravata. No limiar de nunca mais ser qualquer coisa de valor neste mundo a escritura revelada anuncia ritmos de uma escala de tempo em tudo diferente de uma vida, embora nisso não se abrace a história de qualquer certeza. Um rolo compressor abafa o ruído das britadeiras tecnotrônicas e alisa asfaltos que sepultam crânios daqueles que não vieram pra ser. Faz parte da construção social das loucuras e taras soterradas no cascalho da vergonha pelo passado assassino e terrorista desta nação: servidão voluntária injetada pelas seringas, escravidão que se come no marmitex; o casa grande e senzala recitado todo dia junto com o terço e também o trabalho mecânico e repetido dos escritórios de são paulo. Águas varrem mais um resto de feira na praça infestada por pombos e descortina-se uma tênue cortina de fuligem, árvores pintadas de dourado, fluorescente e rosa-choque. A presença de pessoas, qualquer pessoa, no fim das contas só avacalha com a paisagem. Melhor se esbaldar na miséria que ao menos se assume precária e improvisa destinos a partir de pequenos destroços preferencialmente de madeira, isopor ou papelão. As pequenas cicatrizes que sangram quando se faz a besteira de barbear-se deprimido, cheio de si e chapado, mas de nada adianta tentar evitar que o líquido escorra pelo menos uma vez na direção contrária ao ralo. Meio-ambiente envenenado.
sábado, agosto 01, 2009
UMA CARTA DE SUICIDA
Psicodelia e cervejas, estamos indo embora dos anos dois mil. Astronauta e libertário, o futuro parece mais uma massa cinzenta de desejos por eletro-eletrônicos, coisas, coisas, coisas inúteis como a prestação da casa própria e o oficial de justiça que nos flagrou nus naquele dia de trabalho pouco após o pico de morfina. Troco o LCD pela vitrola, agulha, 76 rotações por minuto e o que meu vizinho tem de ouvir as quatro e quatorze da manhã quando me dá na telha é mutantes, jupiter maçã e raul seixas. As coisas por aqui vão mal, se enchendo de pó e lodo por culpa dos cupins. Os mesmos cupins que buzinam e dirigem automóveis colocando minha vida em risco todos os dias pela necessidade de parecerem burgueses. Celular e automóvel: não se dá dois brinquedos que não podem ser brincados ao mesmo tempo para crianças de seis anos. Porque elas vão rir de você e tentar te atropelar. E a vida escorre cinco vezes por semana, das dez às seis, já segredei bem alto para todos que eu não quero interpretar esse papel de ser o chefe. Dos trinta aos oito em dois milissegundos, essa nostalgia do que eu julgava podre (eu dos sete aos dezoito) faz deprimir meu sábado de faxina e reflexão. Ô ô ô seu moço, do disco voador – por algum motivo a música me diz alguma coisa de essencial e por dentro dá aquela vontade de chorar e encher a cara. Por que não fui ser artista? Por que não fui raul seixas, por que não fui arnaldo baptista, por que não fui oswald de andrade, por que nasci em mil novecentos e oitenta? Alguém haveria de estar aqui neste apartamento agora, provavelmente um arquiteto ou publicitário, e não haveria a iminência do vencimento do aluguel e essas lamentações idiotas de quem se desiludiu até com o poder dessa fonte da juventude – rua augusta. As discussões sobre a revolução e o poder público perderam a graça. Os direitos humanos e o combate à homofobia perderam a graça. A gana de lutar pelo mundo se foi, talvez numa transfusão para o menino de dezessete anos que quer fazer ciências sociais na puc, mas não consigo deixar de olhar pra ele com aquela cara de esse filme eu já vi e isso não vai dar em nada. Odiar os pais e evitar por todos os métodos anticoncepcionais a possibilidade de fazer filhos. Somos o ponto final de um sonho? Morreremos e os nossos pequenos segredos não estarão gravados nem nos nossos túmulos nem nos nossos livros jamais editados. O cheiro de feijão cozinhando no apartamento de baixo me abriu o apetite mas a coisa aqui tá feia. Necessidade de fazer a barba, cortar a costeleta e comprar uma roupa de adulto nova. Aproveito que a cerveja acabou e saio por aí torrando esse dinheiro colorido que terá a cara do fernando henrique bordada numa cédula do futuro, antes fossem keynes e marshall a sumir dos livros de história pra não ter de me aporrinhar numa aula de macroeconomia sexta-feira as onze e tanto da noite. Troco meu cartão do banco com você, se quiser também posso te dar meu título de eleitor e errigê – vai lá e vive essa vida bandida por mim. Quer meu salário, meu sexo, meu status, meu diploma de contabilidade? Pega e leva tudo com você pra mil novecentos e noventa e três. Eu vou morar no ar. Abra que eu quero voar o mais alto que eu puder. Um dia eu vou sair – vou morar no ar. Digo adeus aos anos dois mil: adeus velha utopia. Adeus juventude. Adeus rimbaud. Dentro do mambo e da consciência está o segredo do universo. Hoje eu sou cantor de mambo. Mam-bô.
quinta-feira, julho 02, 2009
le dejeuner sur l´herbe
do bolo ainda mastigo o glacê
como a faca de viés na laringe
soro na lata é o creme de leite
confabulação de amoras
como fio de metal ao redor dos rins
a pata da mosca repousa
sobre porcelana, caco de louça,
morango mofado e chantili
como uma lâmina amolada
a consistência é láctea
e a confeitaria da esquina logo ali
nesta fresta o ninho de formigas
que trucidaram meu último gomo de kiwi
como a espada do arcano de tarô
cerejas em calda gotejam do céu
orbitando o vermelho mariposas
colher de pau a bater claras em neve
como o canivete na mão do menino
mistura de geleia de framboesa e vespa
bolor que transborda do frasco semi-aberto
como o talher a retalhar carne macia
ainda mastigo o bolo de glacê
como a faca de viés na laringe
soro na lata é o creme de leite
confabulação de amoras
como fio de metal ao redor dos rins
a pata da mosca repousa
sobre porcelana, caco de louça,
morango mofado e chantili
como uma lâmina amolada
a consistência é láctea
e a confeitaria da esquina logo ali
nesta fresta o ninho de formigas
que trucidaram meu último gomo de kiwi
como a espada do arcano de tarô
cerejas em calda gotejam do céu
orbitando o vermelho mariposas
colher de pau a bater claras em neve
como o canivete na mão do menino
mistura de geleia de framboesa e vespa
bolor que transborda do frasco semi-aberto
como o talher a retalhar carne macia
ainda mastigo o bolo de glacê
quarta-feira, julho 01, 2009
Loki
Loki, na wikipedia, é descrito como um deus ou gigante da mitologia nórdica. Em outras acepções, loki é caracterizado como um gênio: e é sobre o gênio que trata o filme em cartaz atualmente nos cinemas de São Paulo. Vale ressaltar que o significado dessa palavra diluiu-se muito em nosso idioma, hoje em dia associado mais a variações de humor e a sujeitos cdfs e anti-sociais do que ao significado que a palavra tinha à época do Romantismo. Portanto, o filme trata do gênio (enquanto substância singular, universal e não encarnada) no sentido usado por Goethe: tem muito mais a ver com um certo tipo de dom, uma capacidade inquestionável de se aproximar do Universal, da Ideia hegeliana com I maiúsculo, seja por meio da arte refinada e atemporal, seja por meio de reflexões de clareza e objetividade, com mensagens de longo alcance no tempo e no espaço.
O filme é um documentário biográfico organizado em ordem cronológica e recheado de entrevistas sobre a trajetória do músico Arnaldo Baptista. Para os aficcionados pelo cara e pelos Mutantes, como é o meu caso, somente a oportunidade de ter acesso as imagens e depoimentos raros das décadas de 1960 e 1970 já vale por si só cem vezes o preço do ingresso. Mas muito além, novas luzes e perspectivas sobre a vida de Arnaldo são dádivas emanadas dos depoimentos mais atuais do cantor. Da simplicidade das suas pinturas, palavras, do lado de lá desse mundo à parte onde ele vive isolado ouvimos uma versão ligeiramente diferente sobre quem é essa figura mítica Arnaldo. Do senso comum católico e yuppie desses fãs um pouco mais velhos do que a minha geração o que se costuma ouvir é “o Arnaldo foi um cara que foi longe demais nas drogas, que não soube esquecer a Rita, que viajou no LSD e nunca mais voltou e que, de certa forma, o acidente e a vida precária que ele vem levando desde o fim dos anos 1970 é uma compensação, um castigo pela vida de excessos e ácidos dessa época dos Mutantes”. Nessa concepção, sente-se um pouco de pena (como em todo sentimento de pena: desprezo puro) por ele, que não soube virar burguês e “adaptar-se” aos novos tempos como aconteceu com a maioria daquela geração (aqui podemos enumerar a Rita Lee casada com aquele marido idiota, Gilberto Gil de gravata no ministério de Lula, Caetano cantando “sozinho” e até o Tom Zé se apresentando no programa do Raul Gil como eu vi um dia desses).
O meu amor pelo Arnaldo é enorme e com certeza distorce e influencia qualquer crítica. Mas a sensação que eu tive durante o filme e ao sair da sala misturava choro, vontade de entrar num ônibus pra Juiz de Fora, um desejo de sair pela avenida Paulista cantando “cê tá pensando que e sou lóki, bicho?” e uma necessidade urgente de embarcar numa nave espacial rumo a São Paulo de 1967, nessa mesma Rua Augusta onde eu moro e cujos tijolos das calçadas vibram melodias dos Mutantes. E afinal de contas, se eu ou você vamos a um cinema e assistimos a um filme o que buscamos não é isso mesmo – emoção, emocionar-se? Hoje fui trabalhar ainda inebriado com essa coisa toda. Nem quero entrar em muitos detalhes ou polêmicas sobre o filme (só pra constar: a melhor coisa é a ausência de qualquer entrevista da Rita Lee atual), vá você mesmo e tire suas próprias conclusões. Porque eu vou correndo. Buscar a glória.
O filme é um documentário biográfico organizado em ordem cronológica e recheado de entrevistas sobre a trajetória do músico Arnaldo Baptista. Para os aficcionados pelo cara e pelos Mutantes, como é o meu caso, somente a oportunidade de ter acesso as imagens e depoimentos raros das décadas de 1960 e 1970 já vale por si só cem vezes o preço do ingresso. Mas muito além, novas luzes e perspectivas sobre a vida de Arnaldo são dádivas emanadas dos depoimentos mais atuais do cantor. Da simplicidade das suas pinturas, palavras, do lado de lá desse mundo à parte onde ele vive isolado ouvimos uma versão ligeiramente diferente sobre quem é essa figura mítica Arnaldo. Do senso comum católico e yuppie desses fãs um pouco mais velhos do que a minha geração o que se costuma ouvir é “o Arnaldo foi um cara que foi longe demais nas drogas, que não soube esquecer a Rita, que viajou no LSD e nunca mais voltou e que, de certa forma, o acidente e a vida precária que ele vem levando desde o fim dos anos 1970 é uma compensação, um castigo pela vida de excessos e ácidos dessa época dos Mutantes”. Nessa concepção, sente-se um pouco de pena (como em todo sentimento de pena: desprezo puro) por ele, que não soube virar burguês e “adaptar-se” aos novos tempos como aconteceu com a maioria daquela geração (aqui podemos enumerar a Rita Lee casada com aquele marido idiota, Gilberto Gil de gravata no ministério de Lula, Caetano cantando “sozinho” e até o Tom Zé se apresentando no programa do Raul Gil como eu vi um dia desses).
O meu amor pelo Arnaldo é enorme e com certeza distorce e influencia qualquer crítica. Mas a sensação que eu tive durante o filme e ao sair da sala misturava choro, vontade de entrar num ônibus pra Juiz de Fora, um desejo de sair pela avenida Paulista cantando “cê tá pensando que e sou lóki, bicho?” e uma necessidade urgente de embarcar numa nave espacial rumo a São Paulo de 1967, nessa mesma Rua Augusta onde eu moro e cujos tijolos das calçadas vibram melodias dos Mutantes. E afinal de contas, se eu ou você vamos a um cinema e assistimos a um filme o que buscamos não é isso mesmo – emoção, emocionar-se? Hoje fui trabalhar ainda inebriado com essa coisa toda. Nem quero entrar em muitos detalhes ou polêmicas sobre o filme (só pra constar: a melhor coisa é a ausência de qualquer entrevista da Rita Lee atual), vá você mesmo e tire suas próprias conclusões. Porque eu vou correndo. Buscar a glória.
sábado, junho 13, 2009
Filho Da
Eu e meus amigos causamos naquele bar. Bebi, falei alto, cantei marchinha de carnaval, criei mal-estar entre os garçons. Gatei os tubos. Segundo uma certa corrente da psiquiatria contemporânea, tudo isso porque eu não extravaso as minhas energias libidinais onde deveria extravasar. Discordo de toda psiquiatria, psicologia, psicossociopatia e também de toda “ciência” contemporânea. São meia-noite agora e lá fora faz um frio de mais ou menos onze graus: beber álcool e fumar nicotina a quatro reais e vinte e cinco o maço foram as válvulas de escape que me sobraram. Arranco o filtro do cigarro e penso nos surrealistas fugindo da SS em direção aos Pirineus – será que existiu essa outra Europa tão pior que a nossa América Cretina? Porque tudo se diluiu em consumo, vontade de ter um automóvel, a casa própria e procriar por meio de inseminação artificial? Tiraram das crianças a capacidade de imaginar, de ler Hans Cristian Andersen, de ouvir alguém narrar As Reinações de Narizinho e a Formiga e a Cigarra naqueles dez minutinhos antes de dormir. Crianças de colo embaladas por i-pods não são crianças nem são objetos orgânicos que mereçam ser carregados em qualquer colo. Fiquem longe de mim, vocês e seus filhos pequenos.
segunda-feira, maio 25, 2009
Leituras
As leituras de juventude são descobertas. Aos dezenove, vinte ou vinte e poucos eu desejava conhecer o que de melhor existia em literatura, teatro, cinema, na vida. E li bastante: quase sempre o acaso. As épocas, línguas e estilos fundiam-se numa maçaroca ininteligível e fascinante: era o desbravar de novos continentes. Faltavam mapas, faltava dinheiro, faltava esperar a estação do ano certa. E todo mundo tem que transar uma primeira vez, tem que usar droga por uma primeira vez, tem que se perder na augusta de madrugada uma primeira vez. E uma segunda, e uma terceira, e uma infinidade de eiras sem beiras...
As segundas leituras são orientadas pelo método. Já sei que livro eu gosto, já sei as cenas preferidas, já sei os autores que me falam algo essencial. Munido de mapas traço rotas muito mais precisas: posso passar seis meses convivendo com um autor, pensando seus pensamentos, conhecendo os bares onde ele ainda bebe, viajo com muito mais calma para as cidades visíveis/invisíveis que ele inventou.
E foi assim que mudei meu jeito de ler. Metade do ano passado – 2008 – convivi com a mulher Hannah Arendt e neste 2009 estou dado a ler Franz Kafka. Sim, eu já havia lido a metamorfose, o castelo, o processo, mas a perspectiva é outra quando se lê um livro na sequência do outro. E assim as impressões de uma leitura-mergulho dia-a-dia vão se consolidando em outras descobertas. Assim, como Rimbaud, abandonei a literatura desde algum tempo e pretendo continuar a preencher este espaço relatando impressões de minhas segundas leituras. Nada de exercícios de crítica, tudo de exercícios de leitura. Em voz alta: outras descobertas.
As segundas leituras são orientadas pelo método. Já sei que livro eu gosto, já sei as cenas preferidas, já sei os autores que me falam algo essencial. Munido de mapas traço rotas muito mais precisas: posso passar seis meses convivendo com um autor, pensando seus pensamentos, conhecendo os bares onde ele ainda bebe, viajo com muito mais calma para as cidades visíveis/invisíveis que ele inventou.
E foi assim que mudei meu jeito de ler. Metade do ano passado – 2008 – convivi com a mulher Hannah Arendt e neste 2009 estou dado a ler Franz Kafka. Sim, eu já havia lido a metamorfose, o castelo, o processo, mas a perspectiva é outra quando se lê um livro na sequência do outro. E assim as impressões de uma leitura-mergulho dia-a-dia vão se consolidando em outras descobertas. Assim, como Rimbaud, abandonei a literatura desde algum tempo e pretendo continuar a preencher este espaço relatando impressões de minhas segundas leituras. Nada de exercícios de crítica, tudo de exercícios de leitura. Em voz alta: outras descobertas.
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