terça-feira, outubro 21, 2008

Solar

O que de dia é pacato. Certa tonalidade de verde no muro do prédio que se ergue a minha frente só pode ser enxergada com nitidez quando a luz do sol passa por essa outra fresta, exatamente às quatorze e quarenta e sete da tarde do dia sete de setembro de dois mil e oito na rua augusta - coração e ânus de são paulo. Os carrinhos de feira parecem resquícios de uma outra época, manobrando espaços no vão entre duas paredes altas de supermercado. Só o Iggy Pop é que berra na vastidão tão pouco ruidosa do apartamento do sétimo andar. A minha mente é que fotografa, sem lente nem máquina: paisagens interiores. O que de noite mostra seu lado malvado, em busca do corpo de alguém que morreu tão jovem e sem nem ser avisado. Ou a busca de outro corpo que faça cessar o instinto: serotonina, a difusão atômica do neurotransmissor. A tentação é o desapego de todo passado, nascimento a partir do dia em que fui conclusivamente declarado louco pelo parecer dos médicos. Por isso ainda me deixam dançar rock n´ roll sozinho no meio da sala e limpar os restos de comida cravados em minha gengiva quando as visitas estão presentes. Pela linha de sucessão da empresa, serei o próximo manager-presidente com a morte do Alberto.

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