terça-feira, outubro 21, 2008

O INTESTINO E A GLOBALIZAÇÃO

Quem pode evitar o massacre? Dêem-me munição, um fuzil, um cantil, a mira do canhão. Branco e católico, você faz tempo já perdeu o seu poder de convencer. Homem de gravata, discurso ponderado e pausado, a velha retórica do democrata. O coronel que é filho do banqueiro, o soldado raso, sargento da PM, morreu sem lápide e todo baleado, ele era negro e era favelado, marginal, maconheiro. Quem quer fazer cessar a matança? Dê-me três por cento de comissão, taxa de juros mais correção, dê-me um alvará de soltura que eu te invisto meu capital e te faço aparecer na televisão. O velho democrata e sua falaciosa fala, lágrima de crocodilo e marqueteiro porque esse ano é ano de eleição. Um banquete regado a champanhe: vereador da base governista, promotor do ministério público, representante da bancada evangélica, investidor estrangeiro, industrial e empresário, jovens homens de negócio, um brinde ao holocausto. Quem pode legalizar o aborto, criminalizar a escravidão e a tortura, distribuir a renda, acabar com o racismo, combater a fome, diminuir a mortalidade infantil? Dê-me o controle remoto. Não existe tempo para o livro num mundo em que existem automóveis. Quero o cofre transbordante, todo o dinheiro do mundo (controle acionário marjoritário do Planeta Terra S/A). Pra comprar a força de trabalho do proletariado. Pago à vista e faço feriado, faço a suruba e o carnaval, sob o totalitarismo libertador de Orfeu e Dionisio.

Um comentário:

Anônimo disse...

Continua incrível.