Que porra é essa que
Que porra é essa aqui
Quem jorra pra fora da jarra
Quem joga marola na praia
Cadê meus juros? no casulo
Quem vê meu futuro? eu furo
Quais tralhas eu trago do trampo
Quais trilhos meus cílios eu tranço
Qué sabê de tudo? eu nem ajudo
Qué pulá do muro? eu te empurro
literatura marginal * literatura subversiva * literatura terrorista * literatura terceiro-mundista * anti-literatura
terça-feira, fevereiro 27, 2007
O sonâmbulo
Eu ia dormir
mas decidi que deste dia
alguma coisa deveria ficar.
Vizinhos antípodas
escavam buracos
para se evadir pelo subsolo.
Não há matéria orgânica
nos vastos terrenos
delimitados pela cerca.
Lagartos se esfregam
nas peças de carne seca
expostas num varal ao sol.
E a lagosta de entoca
numa apertada fresta
entre a pedra e a parede.
Eu me deito mas não penso.
mas decidi que deste dia
alguma coisa deveria ficar.
Vizinhos antípodas
escavam buracos
para se evadir pelo subsolo.
Não há matéria orgânica
nos vastos terrenos
delimitados pela cerca.
Lagartos se esfregam
nas peças de carne seca
expostas num varal ao sol.
E a lagosta de entoca
numa apertada fresta
entre a pedra e a parede.
Eu me deito mas não penso.
Gráfico
O empuxo que transgride o fragmento
inertes maxilares num corpo morto
rochas que penetram rasgando o oceano
um estojo de metal com lápis de cor dentro
a escuridão eu pinto de cinza
faço um retrato falado de feições cubistas
sonho com a ópera e acordo na fila do pão
compasso, régua e transferidor
a beira da praia lembra um dia lá na cachoeira
meu banquete grego com ânforas e almofadas
o traçado, a silhueta e a figura.
inertes maxilares num corpo morto
rochas que penetram rasgando o oceano
um estojo de metal com lápis de cor dentro
a escuridão eu pinto de cinza
faço um retrato falado de feições cubistas
sonho com a ópera e acordo na fila do pão
compasso, régua e transferidor
a beira da praia lembra um dia lá na cachoeira
meu banquete grego com ânforas e almofadas
o traçado, a silhueta e a figura.
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