segunda-feira, julho 03, 2006

Café com Angústia

Carrego um pequeno recipiente de plástico, com formato de garrafa de água mineral. A transparência do líquido que está contido não é capaz de disfarçar o peso do objeto, que olhado contra a luz possui certos tons azulados. É no peito que as angústias humanas habitam? Nessas horas de crise, sinto angústia escorrer por cada fibra, pedaço de mim, pele ou tecido que sou eu. Tenho amigos, música agradável, ambiente à meia-luz, a mulher que eu quero próxima, entorpecentes à vontade, travesseiros e almofadas. Tenho o emprego e o título do consórcio, todos os certificados e papéis que passaportam um ser humano para a ilha felicidade. Tenho, possuo, acumulo e me orgulho. Mas não enlaço, não abraço, não desfaço os nós e o script de um destino que era meu já não me flui, estanca e atravanca. O líquido espesso transborda da garrafa e os olhos não estão mais secos. Sofro por ser e estar e habitar. E a angústia que me toma faz o veludo da cortina se fechar e eu sonhar com a sensação de morrer. Mas existe um você. Remédio mesmo seria viver de te amar, F.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi Lindoco!!!
Gostei do texto Café com Angústia!!!
Surpreende!!!
beijos,
Aninha Adeve