Uma Auto-Entrevista
Caros amigos: agradeço sinceramente a todos que perdem seus minutos vasculhando os porões da internet e vez ou outra param ao se depararem com os posts que eu publico (de vez em nunca) aqui neste meu blog.
Vivemos numa época de grandes transformações nas mais variadas áreas e seria ingênuo pensar que a introdução da informática no campo da literatura seria somente um fenômeno periférico, que não implicaria em uma radical transformação no conteúdo dessa literatura que é feita agora, no início deste século XXI. Porque muito embora a função do blog seja “publicar” escritos que foram escritos com papel e caneta (pelo menos no meu caso é como antigamente), as possibilidades de difusão de material literário por meios eletrônicos vão muito além de um facilitamento no contato entre o autor e o leitor. Hoje, o escritor tem em suas mãos ferramentas que podem ajudá-lo a editar, corrigir, trocar a fonte, usar imagens, sons, interagir com outras pessoas, etc. o que torna o fazer literário uma atividade da qual o público usufrui quase que em “tempo real”. Se por um lado isso é bom porque torna a literatura uma arte também performática (as artes performáticas: que se fazem, que se constróem, que se movimentam. Estão muito em voga em nossa sociedade do espetáculo), dando ao autor novos recursos expressivos que permitem um maior alcance sensorial dos “efeitos” literários (literatura é causar efeitos nos outros) por outro lado é uma coisa perigosa, na medida em que pode distrair tanto o autor quanto o leitor daquilo que é principal e sem o qual a brincadeira-literatura não pode existir: um bom texto, arquitetado com belas palavras, tecido com idéias finas, temperado no molho da fantasia e servido à mesa junto com um cálice da melhor safra de imaginação.
Não, não acredito que o livro eletrônico um dia vá substituir o livro de papel. Pelo menos não enquanto eu estiver vivo e os eucaliptos continuarem dominando o mundo. O livro de papel é portátil, é elegante, é sinal de status, é o formato do poder. Acima de tudo: o livro de papel é fetiche. Pessoas colecionam e se apaixonam.
Se a poesia será um dia acessível às massas? Para mim, as massas têm suas próprias poesias, receitas de nhoque, recados anotados do telefone e bilhetinhos de mãe para filha. Gostar da poesia aristocrática e canônica que as elites fazem desde sempre como se fosse palavras cruzadas, exigiria que as pessoas fossem outras e não essas pessoas que são e existem no mundo. Ou seja: exigiria um futuro. Conhecer Homero, Baudelaire, Pessoa, Shakespeare, Rimbaud, Safo e Dante é necessário? É e não é, dependendo do tipo de pessoa que você almeja ser na vida e do papel que você quer representar na comédia humana. Mesmo sendo necessária, a poesia pode se tornar um fardo pesado demais para quem quer carregá-lo, por já ter nascido com a vocação. Em nosso país é quase uma mania exótica e meio pervertida. Coisa de colecionador, aficcionado, hobby, coisa que se faz nas horas livres. Perda de tempo. Sorte que ainda haja gente que semeie todo seu tempo para depois perdê-lo.
3 comentários:
tô começando a me interessar por você, se toca.
Já lhe disse mais de uma vez que você é uma incógnita; e sinceramente, quanto mais lhe conheço mais confirmo minha teoria.
E isto só me faz ter mais prazer ainda em tentar lhe desvendar.
Adoro você Biel.
se toca.
te toca.
a toca.
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