segunda-feira, janeiro 09, 2006

É, eu sei disso que você tá me falando

É, eu sei disso que você tá me falando. Não, isso é porque no fundo eu também cresci dentro de um quarto que tinha videogame, aparelho de som três em um, revista de História em quadrinhos, tv a cores, videocassete, uma porrada de revista de mulher pelada e um tênis nike sujo e esburacado jogado em cima de um canto. Não tem nada a ver com eu ser ou não ser filhinho de papai, tem coisas que eu cuido da cabeça pra dentro e não é porque neguinha saia por aí falando que eu pareço com isso ou parecço com aquilo que na verdade eu sou. Eu sei muito bem de que São-Paulo-Palanque eu tô falando, sei que a realidade do Brasil é outra, sei que eu não pertenço aos pobres e os ricos e os burgueses e os classe média do caralho tão cagando e andando pra cima de mim. Assim como eu estou cagando e andando pra cima deles também, quer saber. Porque meu negócio é viver meu eu e tudo o que está ao redor dele - inclusive você, meu. Viver as experiências que dá pra viver vivendo à margem e ao mesmo tempo dentro da parada, circulando por dentro e por fora do padrão. Brincando de esconde-esconde com a polícia, no Brasil todo mundo que brinca de polícia e ladrão prefere mil vezes ser ladrão, por que será? Um dia eu ainda vou ter minha carabina calibre doze e um canhão no quintal de casa que nem o Serafim Ponte Grande. Pena que eu moro em Alphaville e se eu atirasse não ia ter pra onde errar.