quinta-feira, março 17, 2005

MANIFESTO, O FILME

Teatro filmado.
Calcado no exagero e na poesia.
O grotesco dos berros despropositados, vida que pulsa para além do aparato, cenas gigantes que não cabem no olho da câmera.
A falta de acabamento e precisão apontando para aquilo que não tem medida nem fim.
O lugar do feio, da dicção confusa e truncada, da fala errada sem ninguém pra editar.
O vídeo caseiro, a webcam e as filmagens de batizado e casamento.
Experimentar o tremor do cinegrafista e se regozijar no que não foi filmado mas estava logo ali ao lado.
Multidão, bagunça e auê.
Político e jocoso.
A busca do momento que não se repete, lamento monótono da arte.
O ato de filmar em primeiro lugar.
O filme pronto e o bem-estar do telespectador em último.
Rompendo o tecido do bom-gosto só pra não perder a piada.
O trash com conteúdo.
O prazer de estar junto e fazer arte do happening, da balada e das estréias na vida.
Teatro falado mas bem feito.
Mal filmado mas direto ao ponto.
A poesia, o teatro e o cinema em pé de igualdade no filme.

Nenhum comentário: