É preciso confiar menos nos cálculos
Não inferir verdades de gráficos e estatísticas
Ler menos jornal, deixar de freqüentar a igreja
É preciso escutar menos os professores
Não se deixar enganar pelo encanto da publicidade
Ir menos ao shopping, andar mais a pé
Comer menos comida pronta, parar de olhar tanto pro espelho
É preciso desconfiar dos médicos, tomar menos cuidados
Anular seu voto, abandonar o emprego
Dar mais ouvidos ao que dizem as crianças
Rasgar dinheiro, apedrejar agências bancárias
É preciso lutar contra a fabricação de armas de fogo
Pela desmobilização dos exércitos e contingentes policiais
Abolir fronteiras, demolir muralhas, facilitar acessos
Acabar com o sistema judiciário e com a democracia representativa
É preciso ser menos obsessivo, menos compulsivo
Menos mesquinho e menos autoritário com nossos parceiros
Aprender a lição do amor que não é posse
Em busca de algum valor humanista no embate diário contra a barbárie
literatura marginal * literatura subversiva * literatura terrorista * literatura terceiro-mundista * anti-literatura
segunda-feira, março 21, 2005
No mundo de hoje
No mundo de hoje
A Razão só existe como racionalização:
As velhas e as novas desculpas
Embora a culpa não seja nem do pensamento
nem da linguagem
Mas no que eles têm de limitado e de redução.
Os cientistas querem ver no raciocínio abstrato o grande ápice da evolução
Mas a gente que aprendeu do poeta sabe
Que existe o reverso sombrio em cada boa intenção
O irracional é a madeira podre e a razão é o verniz
De nada valem doutorados e tecnologias sofisticadas
Se a ciência só faz fomentar miséria e alienação.
No plano pessoal, fechamos os olhos e nos enganamos voluntariamente
E das esferas coletivas nos omitimos desde sempre
- Ah, como o ser humano gosta de ser pisado!
- E viva o mercado e viva o ministério da boa educação!
A Razão só existe como racionalização:
As velhas e as novas desculpas
Embora a culpa não seja nem do pensamento
nem da linguagem
Mas no que eles têm de limitado e de redução.
Os cientistas querem ver no raciocínio abstrato o grande ápice da evolução
Mas a gente que aprendeu do poeta sabe
Que existe o reverso sombrio em cada boa intenção
O irracional é a madeira podre e a razão é o verniz
De nada valem doutorados e tecnologias sofisticadas
Se a ciência só faz fomentar miséria e alienação.
No plano pessoal, fechamos os olhos e nos enganamos voluntariamente
E das esferas coletivas nos omitimos desde sempre
- Ah, como o ser humano gosta de ser pisado!
- E viva o mercado e viva o ministério da boa educação!
quinta-feira, março 17, 2005
MANIFESTO, O FILME
Teatro filmado.
Calcado no exagero e na poesia.
O grotesco dos berros despropositados, vida que pulsa para além do aparato, cenas gigantes que não cabem no olho da câmera.
A falta de acabamento e precisão apontando para aquilo que não tem medida nem fim.
O lugar do feio, da dicção confusa e truncada, da fala errada sem ninguém pra editar.
O vídeo caseiro, a webcam e as filmagens de batizado e casamento.
Experimentar o tremor do cinegrafista e se regozijar no que não foi filmado mas estava logo ali ao lado.
Multidão, bagunça e auê.
Político e jocoso.
A busca do momento que não se repete, lamento monótono da arte.
O ato de filmar em primeiro lugar.
O filme pronto e o bem-estar do telespectador em último.
Rompendo o tecido do bom-gosto só pra não perder a piada.
O trash com conteúdo.
O prazer de estar junto e fazer arte do happening, da balada e das estréias na vida.
Teatro falado mas bem feito.
Mal filmado mas direto ao ponto.
A poesia, o teatro e o cinema em pé de igualdade no filme.
Calcado no exagero e na poesia.
O grotesco dos berros despropositados, vida que pulsa para além do aparato, cenas gigantes que não cabem no olho da câmera.
A falta de acabamento e precisão apontando para aquilo que não tem medida nem fim.
O lugar do feio, da dicção confusa e truncada, da fala errada sem ninguém pra editar.
O vídeo caseiro, a webcam e as filmagens de batizado e casamento.
Experimentar o tremor do cinegrafista e se regozijar no que não foi filmado mas estava logo ali ao lado.
Multidão, bagunça e auê.
Político e jocoso.
A busca do momento que não se repete, lamento monótono da arte.
O ato de filmar em primeiro lugar.
O filme pronto e o bem-estar do telespectador em último.
Rompendo o tecido do bom-gosto só pra não perder a piada.
O trash com conteúdo.
O prazer de estar junto e fazer arte do happening, da balada e das estréias na vida.
Teatro falado mas bem feito.
Mal filmado mas direto ao ponto.
A poesia, o teatro e o cinema em pé de igualdade no filme.
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