quinta-feira, fevereiro 10, 2005

A menina

A menina espremida no meio da multidão mal teve tempo de olhar para trás. Por todos os lados do ar chegavam partículas de som e os canhões tingiam de colorido a espessa fumaça, tudo atuando na mente de maneira complementar aos aditivos químicos. Tudo fabricado para desorientá-la e livrá-la, por uma noite que fosse, do tormento de pensar e existir. Será que alguém lúcido poderia confundir aqueles movimentos desordenados e caóticos do seu corpo com a arte da dança ? Pouco provável mas o fato é que seus olhos brilhavam mortos antes de estender seu pescoço e me oferecer aquele beijo com hálito de cerveja.

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