literatura marginal * literatura subversiva * literatura terrorista * literatura terceiro-mundista * anti-literatura
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Havia flores no quarto
Havia flores no quarto, pétalas brancas se esparramando pela cama, refletindo suaves as luzes foscas do abajur. Os instrumentos de sopro, a percussão leve ao ritmo do vento, o laranja apocalíptico do céu noturno da cidade grande: a janela abria, fechava, rangia em suas juntas velhas, perdida toda memória da infância. A blusa azul que vestia a cadeira, inquieta girando a bailarina do quadro na parede, suja das manchas de vinho no tapete. O cigarro repousava no cinzeiro. E os livros que se quedavam mudos nas estantes dialogavam telepaticamente com os discos na vitrola. O homem estava morto.
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