A poética do assombro
Em tempos de guerras e ruas escuras
O poeta é pequeno para ver
E fica menor ainda se comparado ao documentário
E ainda que o poeta não disponha do fabuloso aparato tecnológico
Dos helicópteros e das ilhas de edição
De tudo que custa uma puta grana
E tem que mandar vir do Japão
Mesmo que o poeta não tenha um aparelho mágico em cada domicílio brasileiro
Sempre sintonizado e piscando sua luz azul
Não obstante o poeta não ter sequer quinze segundos
Pra recitar sua poesia no fantástico
E nem no horário eleitoral gratuito
Mesmo assim, contra tudo e apesar de todos
O poeta tem algo a dizer
E não é por favor.
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